domingo, 20 de maio de 2012

O dialogo entre Eu, meu Coração e meu Cérebro.


      Como faço todos os dias, tentei, mais uma vez conversar com meu Coração e com meu Cérebro.
      O primeiro tem a incrível mania de acreditar em tudo e em todos, sendo até ingênuo às vezes, deixando eu e meu Cérebro mais ferido que antigamente.
      Já o Cérebro, sempre querendo controlar tudo, adora rir de mim quando cometo algum erro por culpa do Coração.
      - Precisamos conversar – Disse, querendo alguma explicação desses dois que, inclusive, já conseguiram trabalhar juntos.
      Mas isso faz tempo.
      Muito tempo.
      E depois veio o Cérebro, controlando minha vida de um modo frio e calculista.
      No entanto, essa fase também já passou.
      E é por isso, que estou aqui.
      - Claro, claro... Deixou, novamente, o seu mole Coração te controlar! – Exclamou o Cérebro, sua voz cheia de sarcasmo.
      - Não é exatamente isso – Comecei a me explicar, mas o meu Coração não deixou eu continuar.
      - Ela somente está apaixonada, seu bobo. – Sorriu docemente o Coração – E no assunto amor, eu é que comando. –
      - E para que serve o amor? Você adora dizer que é o cérebro o controlador, o cruel. E esse tal amor só serve para deixar as pessoas mais inseguras, e consequentemente, mais infelizes. O amor é uma grande farsa. Ele somente existe para fazer todos sofrerem. – No fim de seu discurso, o Cérebro olhou para o Coração, que ainda sorrindo, afirmava tudo o que o Cérebro disse.
      - Sim Cérebro, você está certo. O amor também faz sofrer. Porem, ele não é uma grande farsa. O que seria do ser humano sem o amor? – Perguntou retoricamente, olhando para mim – Sem o amor e todo o sofrimento que ele implica, o ser humano não ia evoluir, pois é a dor do amor que faz os humanos, quando caídos, terem a vontade de erguer-se e consertar o Coração e o cérebro que sobraram dele depois de cair.
      - Belas palavras Coração, belas palavras – Deu um meio sorriso o Cérebro. – Jamais conseguiria dizer algo tão bonito assim. Talvez seja por isso que muitos humanos caem na sua lábia, não?-
      - Talvez, talvez... – Riu.
      - Okay... Eu gostaria de perguntar algo a você, Coração – Disse, quando eles finalmente ficaram quietos.
      - Diga – Sorriu.
      - Por que ficou ausente por tanto tempo? Por que deixou o Cérebro me controlar por tanto tempo? Por que não mostrou o amor antes a mim? – Estreitei os olhos, querendo logo minhas respostas.
      - Querida, não seja impaciente. – Suspirou – Você foi a única culpada por isso. Ficou tanto tempo sendo controlada pelo Cérebro, que se esqueceu do amor, que se esqueceu de mim, deixando de procura-lo. Isso não foi culpa minha. E nem do Cérebro. Você precisa de um equilíbrio. -
      - Mas como? – Questionei já desesperada.
      - Deixando que eu, cuide dos assuntos relacionados aos sentimentos, e o Cérebro, dos assuntos lógicos e racionais. Nunca, em hipótese alguma, o Cérebro conseguirá trabalhar tão bem com os sentimentos quanto eu, e eu nunca serei capaz de lidar com a lógica, com a consciência de muitos outros assuntos que você vai lidar na sua vida. – Sorriu suavemente. – Você ao menos vai tentar fazer isso? –
        Eu sabia que tentaria, e sentindo uma pontinha de esperança em meio ao desespero e insegurança, a agarrei com unhas e dentes, não deixando escapar.
      - Sim. Eu vou tentar. Prometo. – Sorri para ambos, sentindo essa certeza de que tudo vai dar certo crescendo em mim.
      - Acreditamos em você. - Ambos disseram, terminando nossa pequena reuniao, e voltando aos seus respectivos lugares.


E foi assim.
Depois daquele dia, consegui o equilíbrio que minha alma tanto carecia.
Nunca mais seria alguém frio e calculista, uma eterna fugitiva de abraços e afetos alheios.
Também não seria nenhuma descontrolada, deixando os sentimentos me dominarem, de uma forma obsessiva, doentia.
Em perfeito equilíbrio.
Em perfeita harmonia.

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